C'est super!

Uma viagem econômica e maravilhosa

Posted on: 24/08/2014

Nosso convidado de hoje é o Filipi Andrade.  Aproveitem as dicas, pois estão incríveis e podem proporcionar uma super viagem com um orçamento possível! Ah, e o destino é o meu mais novo amor: a Córsega! Merci beaucoup, Filipi!! 🙂

« Depois de descobrir que estivemos na Córsega ao mesmo tempo e trocar algumas palavras sobre esse destino inesquecível, recebi da Eleonora o gentil convite de escrever sobre os meus dias na Île de Beauté (ilha da beleza em francês), como é comumente chamada – com muita justiça, devo dizer. Seguem então algumas das minhas impressões deste belíssimo destino e algumas dicas pra aproveitar o máximo sem extrapolar no budget da sua viagem.

O paraíso inesperado

A beleza de planejar uma viagem de três meses está em lidar com aqueles planos que não dão certo. Numa bela manhã você abre sua conta de e-mail e, voilà, uma resposta negativa, dez ou quinze dias da sua viagem com os quais você não sabe mais o que fazer. Foi assim que recebi o convite de ir à Córsega. Contratempos nunca me caíram tão bem.

 

corsica

Chegando lá

 

O acesso à ilha é geralmente feito por balsas. As principais empresas são Corsica Ferries e SNCM. É possível fazer a travessia com automóvel, mas fica obviamente mais caro. Dependendo da época do ano, a travessia de ida e volta, sem automóvel, pode sair por pouco mais de 50 euros. As balsas são enormes e há até a possibilidade de alugar quartos, mas a viagem dura em média seis horas e há sempre um lugar confortável pra ler um livro ou descansar. Há também restaurantes e até um solário com bar e piscina. Permita-se experimentar uma Pietra (cerveja corsa, deliciosa), mas leve alguns sanduíches e frutas para a viagem, pois os restaurantes são caros. A minha travessia foi feita de Nice, na França, a Bastia, uma das principais cidades da ilha.

 

Dormindo, comendo e conhecendo

 

Como já disse, uma viagem de três meses requer muito planejamento. Meu objetivo sempre foi gastar o mínimo possível com hospedagem, comida e transporte. No continente há diversas alternativas que te ajudam na hora de economizar: couchsurfing, wwoofing, hostels, caronas, etc. Na Córsega as opções não são tantas. Hostels e couchsurfing são pouco comuns, por exemplo. Mas há opções baratas pra dormir, como campings ou até mesmo uma noite à la belle étoile. Sim, dormir olhando para as estrelas é uma opção pra quem não tá procurando lá muito conforto. Em toda a Europa há legislações diferentes sobre o camping selvagem, então não é possível sair montando sua barraca em qualquer lugar. No entanto, há uma grande quantidade de campings na ilha oferecendo um lugar seguro pra acampar, com duchas quentes e banheiros limpos. O site Le Camping Sauvage oferece dicas sobre a pratica em território francês.

 

A comida na Córsega não é barata. A opção mais em conta é carregar-se no supermercado e preparar sua própria comida. Essa possibilidade depende da sua condição de hospedagem. Pra quem vai acampar, há pequenos fogões a gás, leves e fáceis de carregar, que custam menos de 20 euros. Com um desses e duas pequenas panelas não há com o que se preocupar. Comer um prato típico num bom restaurante, no entanto, é parte do ritual de toda viagem. Vale a pena uma vez ou outra dar-se esta recompensa por todo o dinheiro que você economizou. Geralmente, com 10 euros por pessoa, come-se bem e bebe-se uma Pietra. Os pratos costumam ser bem servidos.

 

Na minha opinião, não se deve economizar quando o assunto é queijo. Ainda mais na Córsega, onde há uma variedade enlouquecedora de queijos de cabra e ovelha. Há muitos queijos nos mercados, mas nas feiras eles costumam ser mais frescos e melhores, apesar de mais caros.

 

Há trens que ligam as principais cidades da ilha, mas a melhor maneira de conhecer a Córsega é de carro. Não é difícil encontrar agências de aluguel de veículos como Hertz ou Europcar nas principais vilas, mas a alternativa mais barata é o aluguel de particulier à particulier. O site Ouicar conecta você a pessoas de diferentes lugares em território francês que alugam seus carros para turistas. Felizmente há na ilha bastante gente fazendo isso.  Tive uma experiência bastante tranquila, bastante segura, e foi muito mais barato que alugar nas agências. Com um carro, você fica mais livre pra parar naquela praia incrível que você viu no caminho e nem fazia parte do seu itinerário. Você poderá também parar pra fotografar inúmeras paisagens de tirar o fôlego. No entanto, dirigir na Córsega não é fácil. Há algumas estradas tranquilas com diversas faixas ligando as principais cidades, mas a maior parte da malha viária da ilha é de estradas de mão dupla que ziguezagueiam num ritmo nauseante. O cuidado com as estradas deve ser levado a sério, especialmente em pontos não raros onde a visibilidade antes da próxima curva é bem limitada.

 piana

 

 

 

A Córsega não é só praia

 

Apesar das centenas de praias incríveis, um dos motivos pelos quais muitas das pessoas com quem conversei na ilha me diziam que passavam ali todas as suas férias desde a primeira visita é que a Córsega oferece tudo: praias, montanhas, lagos, rios. As praias são realmente sensacionais, mas o lugar que mais gostei de visitar na ilha foi a vila de Corte, quarta maior cidade da ilha.

 

Corte fica no coração da Córsega, é cercada por montanhas, e não faltam pequenas riviéres com água cristalina e até pequenas quedas d’água.

 

Talvez pela localização central na Ilha, foi em Corte que encontrei mais pessoas de origem corsa. Preveniram-me algumas vezes sobre como lidar com os moradores da ilha, o que poderia ser um tanto complicado, mas não tive essa impressão em momento algum. Com educação e un peu de français você provavelmente não terá problemas.

 

Considerada a capital histórica e cultural da Córsega, Corte abriga a única universidade da ilha e o Musée de la Corse. A cidade tem um centro agitado no verão, com bares e restaurantes repletos de turistas e habitantes da ilha – você percebe a diferença pois os locais têm o costume de cumprimentar-se mesmo há metros e metros de distância, num agradável francês que parece ter um ritmo italiano, ou em corso, língua falada na ilha além do francês.

corte

 

 

 Durante o dia vale passear pelas pequenas ruelas que levam à belíssima cidadela, passando pela Place Paoli, onde há curiosas construções que ainda guardam danos de guerras e invasões centenárias. Também na praça Paoli, há uma barraca que vende, durante o dia, os mais deliciosos fritelles, ou beignets au brocciu, que comi na ilha. Trata-se de uma especialidade corsa: bolinhas recheadas com queijo brocciu. Fritos na hora, os fritelles podem ser açucarados ou não, você escolhe. Dá pra levar seis por 3 euros ou uma dúzia por 5 euros. Compre logo a dúzia e evite voltar na barraca cinco minutos depois querendo mais – você vai querer mais. Com os beignets em mãos, procure uma mesa no Cyrnea Bar, que fica na rue du Professeur Santiaggi, bem próximo à praça. O café é barato e bem servido. Este bar deve também ser visitado à noite. Frequentemente reúnem-se no Cyrnea setentões munidos de seus violões que tocam o chant corse incansavelmente, além de músicas francesas. Com um copo de Pastis (licor a base de anis misturado com água gelada) que nunca se esvazia, os senhores muitas vezes dividem humildemente os holofotes com grupos de meninos que se atrevem a alguns números do canto córsico. Aproveite também para experimentar o liqueur de myrte, também comum na ilha.

Estátua de Pascal Paoli em frente a construção com marcas de tiros
Estátua de Pascal Paoli em frente a construção com marcas de tiros

 

 

Outras dicas

 

Praias: há centenas, uma mais bonita que a outra, mas aconselho uma visita às praias de Galéria, que fica entre Calvi e Porto, e l’Ostriconi, que fica próxima da Île Rousse.

praia

 

Cidades: não deixe de passar por Porto e Piana. Em Porto há diversas empresas oferecendo passeios de barco e pacotes de mergulho. Piana é uma pequena vila charmosa e no caminho há os calanches de Piana – formações rochosas muito interessantes. Em um ponto da estrada, há uma rocha que exibe o formato de um coração. Não é difícil de achar pois há sempre turistas estacionados tirando fotos. Infelizmente não cheguei ao sul da ilha, a Bonifacio ou Porto Vecchio, mas parecem ser lugares a se visitar também.

Carona: a pratica não é tão comum como no continente, mas ainda é possível viajar pequenas distâncias na ilha estendendo o polegar. Não se esqueça de escrever num pedaço de papelão o seu destino e parar num ponto estratégico onde os motoristas possam estacionar com segurança. Lembre-se também que muitas vezes você vai precisar de duas ou três caronas pra chegar no seu destino.

 auto stop

 

 

 Junho/julho: se você quiser evitar a muvuca de turistas, não vá em agosto. Em junho e julho já está quente o suficiente pra aproveitar a ilha, e a quantidade de turistas é bem menor.

 

Agora é só começar a juntar dinheiro e programar sua viagem a este paraíso pro ano que vem. Dizem que quem vai à Córsega sempre volta. Eu já tenho vontade de voltar. »

 

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