C'est super!

Lyon

Posted on: 09/08/2014

Convidada especial: Chris Jz

 

A Chris é bióloga, com Mestrado em Genética. Não, não pára por aí. Ela estudou também Letras e atualmente faz Mestrado em Tradução (francês). Ainda tem mais: ela dá aulas de francês e biologia.
Incrível, não?! Mais incrível ainda é o texto cheio de carinho que ela escreveu sobre uma cidade fantástica e que foi justamente o motivo de nos conhecermos. 

Merci, Chris. Todo mundo que estudou em Lyon agradece! 🙂

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« Quando desembarquei pela primeira vez em Lyon, eu não conhecia nada daquela cidade. Fui para estudar por um ano na universidade, com a cara e a coragem, com minha escolha baseada apenas no testemunho de amigas que ali já tinham vivido. Vivi um ano ali, estudei, conheci pessoas, conheci lugares, criei uma relação única com aquele lugar que me cativou profundamente. O que tem, afinal, a cidade de tão interessante, a ponto de ter me conquistado? Não sei explicar. Uma das coisas talvez seja a vista que a gente vislumbra do alto das duas colinas. Quando subi na colina de Fourvière pela primeira vez e olhei a cidade do alto, com os Alpes ao fundo, eu senti uma sensação estranha, um misto de euforia pela descoberta e familiaridade pela cena se descortinava diante de mim. Era como se aquilo fosse, ao mesmo tempo, totalmente novo e totalmente familiar. A única certeza que tive foi a de que eu queria voltar ali muitas vezes. E voltei. Durante minha estada de um ano, eu geralmente subia ali sozinha, o que fiz sob sol, chuva, neve… Sentava-me em um banco (sempre o mesmo) no jardim que fica abaixo da basílica, comia um lanche em silêncio, pensava no momento especial que eu estava vivendo, pensava na família, pensava, pensava, olhando para a cidade que me acolhia. Cheguei a fazer isso em dias de muita neve, quando eu tinha quase a certeza de que eu era o único ser humano não protegido do frio intenso por um teto. Antes de partir de volta ao Brasil, subi até aquele lugar novamente e prometi a mim mesma que voltaria um dia. E assim o fiz, em duas novas estadas na cidade. Aquele é o primeiro lugar para onde vou ao chegar e o último que visito antes de partir. E sempre choro. Claro! Evidente, diriam aqueles que me conhecem bem.

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Além da vista do alto da colina, o que mais tem essa cidade? É uma cidade grande (para os padrões franceses) que tem tudo que alguém possa precisar, sem por isso se tornar desumana. O transporte público é limpo e eficiente, de forma que os deslocamentos por toda a Grande Lyon não oferecem qualquer obstáculo a quem quer e/ou precisa se deslocar para qualquer ponto da aglomeração. As pessoas são simpáticas e acolhedoras. Pode-se pedir informações na rua ou no comércio, sem que as pessoas se mostrem irritadas (como em outras cidades grandes) ou bufem de tédio e descontentamento. É… isso ocorre em outros lugares. Enfim, em todas as vezes que precisei de ajuda, fui tratada com simpatia. O que mais? Lyon é uma cidade que preserva sua história, desde a distante fundação pelos romanos, em 43aC (quando ainda se chamava Lungdunum), sem deixar de ter também um lado bastante moderno. A parte histórica da cidade é hoje muito bem conservada. Os sítios remanescentes do Império Romano, as construções medievais, as renascentistas, tudo continua ali, contando uma história de mais de dois séculos. Hoje, esse conjunto está merecidamente tombado pelo patrimônio histórico da Unesco.

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Uma outra peculiaridade é que a cidade é cortada por dois grandes rios, o Rhône (Ródano) e Saône, seu afluente. Esses dois rios se encontram no centro da cidade e ambos oferecem, ao longo de suas margens, locais extremamente agradáveis para passeios a pé, de bicicleta e para atividades de lazer em geral. No Rhône, essa área que corresponde à sua margem esquerda, vai de norte a sul da cidade, desde o Parque de la Tête D’Or, até o Parque Gerland/Confluence. Falando em parques, além desses dois, existem outros parques grandes (Parilly, Miribel) e ainda outros parques menores e muitas áreas verdes por toda a cidade. No Parque de la Tête D’Or, há um grande lago, com passeios de barco e pedalinho, um zoológico, um jardim botânico, entre outras coisas, e muito, muito espaço verde.

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Entre a primeira vez que vi a cidade e a mais recente, passaram-se 5 anos e eu me espantei com o crescimento que ocorreu nesse período. Posso dizer até que vi isso com certa apreensão, mas me parece que não se deixará que toda essa modernidade interfira com a riqueza do passado. A cidade que, há cinco anos tinha apenas uma grande torre (edifício com dezenas de andares), hoje já tem mais uma pronta e outra em construção, que será a maior de todas. Lá do alto, para mim, elas não combinam com a paisagem, brotando enormes no meio da cidade dos telhados vermelhos (como os parisienses, que têm telhados cinzas, costumam chamar). Bem, há quem goste. Espero que a mania de construir torres cada vez mais altas fique por aí… Outras mudanças mostram o crescimento do lado moderno da cidade: as linhas de metrô foram estendidas, ganhando trechos que vão para fora da cidade. Linhas do tramway também foram alongadas e novas linhas foram criadas. Há cinco anos, eram duas linhas maiores e outras duas começando a ser construídas. Hoje, são cinco linhas, além de uma sexta linha que faz o trajeto até o aeroporto. Locais da cidade que ainda eram totalmente desertos agora têm muitos (muitos mesmo!) pequenos prédios de 4 a 6 andares. O reflexo disso já se nota no transporte público. Em determinados horários, metrô, tramway e ônibus ficam cheios, mas ainda são viáveis. A diferença é que sempre era possível viajar sentado, em qualquer horário, o que já não acontece mais. Na vez mais recente em que lá estive, viajei de pé muitas vezes.

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Mais uma novidade: uma região da cidade que era um pouco (ou muito) abandonada, por ficar isolada do resto da região entre rios pela Gare de Perrache, está sendo totalmente revitalizada. Nessa parte da cidade, agora chamada de Confluence, foram construídos um grande centro de compras, um museu, um prédio de exposições, uma nova ponte sobre os rios, por onde passa extensão da linha 1 do tramway, vários locais de lazer às margens dos rios e um cais de onde parte um “vaporetto”, um barco que faz um trajeto pelo Saône e que custa o mesmo que uma passagem de ônibus.

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Concluindo, alguns lugares, a gente visita, conhece, passas alguns momentos e sente que é o suficiente. Outros, a gente conhece, visita, vivencia e sabe que precisa voltar, porque há algo de diferente ali que nos atrai. Assim é Lyon. No dia em que a deixei, depois de viver ali um ano, eu sabia que precisaria voltar. Voltei, e nada do que eu sentia no início diminuiu ou me pareceu diferente sob o ponto de vista de uma segunda ou terceira visitas, quando a gente já perdeu a emoção inicial e começa a enxergar coisas que antes não via. Não. Nenhuma decepção. Continuo amando aquele lugar e vivo sempre com a certeza de que quero voltar. »

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