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Bande dessinée – Primeira parte

Posted on: 20/01/2010

Um painel dos principais artistas das histórias em quadrinhos hoje na França, o mercado de HQ mais sólido da Europa. ( Por Joca Reiners Terron , para revista Serafina (Folha de São Paulo).

Le classique Asterix


E, quem diria, o baixotinho Asterix se tornou um cinquentão em outubro. É sempre ultrajante testemunhar a passagem do tempo por meio da existência de um personagem, justamente porque nós envelhecemos e o personagem (Asterix, no caso, e também o seu cupincha Obelix) continua jovem. Salvai-nos da velhice com alguma poção, bom e velho druida Panoramix! Mas passemos para o próximo parágrafo, pois este papo já está ficando para lá de chatotorix.


Criados em 1959 pela dupla Uderzo & Goscinny (que morreu em 1977 sem testemunhar a decadência de seus enredos mordazes e finalmente pesquisados, levados adiante pelo ilustrador Uderzo), os irredutíveis gauleses são apenas a cereja no creme brûlée de uma tradição centenária que passeia pelo mundo francófono desde o trabalho pioneiro do suíço Rudolphe Topffer (1799-1846), passando pelas peripécias de Tintin (1929), criação do belga Hergé, também divulgador da « linha clara », escola de desenho conhecida pela limpeza dos traços e dos contornos, e chegando às histórias de fantasia e ficção científica meio hippies, meio surrealistas, do grupo reunido em torno de Moebius na revista « Metal Hurlant » nos anos 70 (tão influente a ponto de sobreviver até hoje por meio de sua filial norte-americana, a « Heavy Metal »).

A tradição não para por aí e continua a se expandir graças ao mercado de quadrinhos mais sólido da Europa, cujo ponto alto é o Festival Internacional de Angoulême (existente há 37 edições). Na França a « bande dessinée » (ou banda desenhada, como nossos irmãos lusitanos adotaram) são consumidas por toda a família. De acordo com Thomas Gabison, 35, editor de quadrinhos da tradicional Actes Sud BD, existe até mesmo certa superprodução que pode ser negativa: « No início dos anos 90, os artistas faziam suas experimentações gráficas e narratias em fanzines. Hoje, com o barateamente dos custos de produção, publicam diretamente em livro sem a presença de editores. Há 30 anos, eram publicados na França cem álbuns por ano; há 15, em torno de 700; atualmente são cerca de 4.000 álbuns por ano. « 

Um erro comum cometido pela crítica é considerar as HQs um gênero destinado apenas às crianças. Não se trata disso, claro, e a atualidade pode ler histórias que mesclam erotismo, profundidade literária e experimentação (medidas em geral encontradas na literatura tradicional e não nos gibis), destinadas a um público de alto repertório e capacidade de consumo. Vamos conhecer oito entre os mais complexos criadores franceses atuais, a nata dos quadrinhos adultos da terra de Asterix, o cinquentão.

Blutch: o experimental

Blutch

O mais veterano entre os novos, Blutch (pseudônimo de Christian Hincker) nasceu em Estrasburgo em 1967. Começou a publicar ainda nos anos 80 na revista « Fluide Glacial »(reduto da geração anterior, surgida nos anos 70 e- como seu nome indica- meio congelada no tempo hoje em dia), e demorou para descobrir sua linguagem pessoal,  ricamente experimental e baseada em grossas pinceladas e na exploração de narrativas mudas. Seu álbum representativo dessa conquista é « Mitchum »(publicado em fascículos a partir de 1996 e reunido em livro por Cornélius em 2005). Em 2009,  recebeu o Grand Prix de Angoulême e foi escolhido como presidente da próxima edição do festival em janeiro de 2010.

De acordo com Thomas Gabison, que está feliz com a escolha de Blutch para presidir a próxima edição de Angoulême, « é um autor de estatura considerável, desconhecido do grande público e sempre em busca de uma escrita original, É o Fellini dos quadrinhos franceses ».

Continua em « post » futuro.

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