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Théâtre

Posted on: 08/11/2009

Eva Doumbia desafia barreiras étnicas no Ano da França no Brasil

Espetáculo « France do Brazil » coloca em questão a miscigenação e a tolerância

France do Brasil

 

Uma rota de colisão entre conflitos raciais e sentimentais através do questionamento dos vínculos sociais e identitários. É assim que a diretora francesa de origem marfinense Eva Doumbia retratou as angústias de ter ao mesmo tempo muitas raízes e a relação com o preconceito na peça “France do Brazil”, que estreou em 30 de outubro e fica em cartaz até 1o de novembro no SESC Santana, em mais um evento do programa oficial do Ano da França no Brasil. No palco, os 11 atores brasileiros e franceses de diversas origens africanas foram os ingredientes chave de uma mistura que agradou ao público.

A atriz Rita Grillo interpreta France, uma escritora que deixou o Brasil para estudar em Marselha, à principio por seis meses. No entanto, a morte de sua namorada Lala fez com que procurasse se afastar. A narração acontece no momento em que France está retornando ao País depois de 8 anos na França, já casada com Arié, um franco-argelino que se envergonha de suas raízes. O conflito tem início quando a personagem se questiona sobre seus sentimentos, sua origem e seu estilo de vida.

“France do Brazil” traça um interessante paralelo entre os dois países por meio de uma verdadeira miscelânea de linguagens, misturando texto, dança, música, vídeo e entrevistas no mesmo espetáculo. No desenrolar da narrativa, tudo o que acontece com a personagem surge a partir da sua memória, e a música, o som e os vídeos acompanham essas lembranças.


A diretora Eva Doumbia explica, com exclusividade, os objetivos da apresentação. “Tentamos falar de identidade nacional, já que para o Brasil o aspecto da negritude é muito importante, mas para nós, franceses, é a questão da imigração que se mostra mais relevante”, explica a idealizadora do espetáculo. “Na França a questão da miscigenação se põe há 40 ou 50 anos, porque antes as colônias eram longe das metrópoles. No Brasil isso já ocorre há séculos”. Já colaboradora artística Cláudia Schapira recorre a uma comparação com exemplos claros. “A peça acirra as tensões dessas culturas que se misturaram por várias razões, porque aqui se uma filha diz que vai casar com um árabe, não é nada demais. Porém, lá é um verdadeiro conflito”, exemplifica. “O espetáculo se chama France, a brasileira, porque para mim, a França se parece muito com Brasil por sua composição étnica, mas ainda não sabe, ou talvez não queira conhecer”, conclui Eva.

O público parece ter entendido o recado. “Sem dúvidas é uma peça muito inteligente e mexe muito com as emoções. A questão da negritude como foi tratada é uma prova de como o negro influenciou e influencia ainda a cultura francesa e a brasileira. Cada um pode se ver ali, interessantes as reflexões que se pode fazer colocando o que foi visto em cena como o dia-a-dia de quem assistiu”, observa o comerciante Rogério Corgosinho, 29 anos.

Entusiasmada com o Ano da França no Brasil, a professora Marcy Hohrmuth, 36 anos, introduziu em suas aulas para alunos da rede municipal de ensino noções sobre a cultura, o idioma e até mesmo conhecimentos sobre alguns artistas franceses, como Henri Matisse. “Esse banho de francofonia está fazendo muito bem para a gente. Meus alunos estão adorando, alguns até já se despedem dizendo ‘au revoir’”, conta sorridente.

“Sou eu quem garimpo as atividades culturais do Ano da França no Brasil”, explica o publicitário Alessandro Souza, que sempre leva a amiga e administradora hospitalar Heloisa Silva para as atrações escolhidas. “Já vimos vários outros eventos, como o Bob Wilson e uma trupe bárbara lá no Ipiranga”, explica .”Ele descobre o que vai ter e eu, como gosto bastante de arte, vou junto com ele e amanhã vamos a outro espetáculo em Pinheiros. Eu achei bem diferente, não assistimos nada parecido até agora”, complementa Heloisa.

Justamente por sua complexidade técnica, a diretora do grupo La Part Du Pauvre (A parte do pobre), Eva Doumbia, ficou receosa quanto à estreia. “É um espetáculo bastante complicado do ponto de vista técnico e como chegamos neste teatro há pouco tempo ainda temos muito que amadurecer e consolidar. Tem muito vídeo, som e legendas que precisam estar mais em harmonia” diz. “Eu ainda estou sob a adrenalina, estou descobrindo o espetáculo hoje. Ainda não tenho a distância emocional para analisar”, completa.

A atriz Rita Grillo deu seu relato sobre a primeira apresentação. “Acho que foi um trabalho bem interessante, com uma equipe de atores muito boa. Essa mistura de muitas culturas gerou uma experiência muito rica. É uma troca muito grande e em várias etapas, pois a gente já tinha ensaiado um período na França em fevereiro, mas não apresentamos oficialmente. Agora em janeiro voltaremos para lá”, confidencia.

http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br

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